maio 16, 2012
O esplendor da relva
«Não recebi clippings, aliás nem eram clippings eram notícias sem importância. Por exemplo: “Nixon chegou ao México – Reuters”. Isto não é nada, não tem interesse.»
«Recebi um ou dois SMS do Dr. Silva Carvalho com nomes mas não respondi.»
«O meu telemóvel é muito básico, não dá para uma correspondência acentuada.»
O Sr. Ministro dos Assuntos Parlamentares precisa utilizar o meu sistema muito básico de correio eletrónico: ele permite eliminar, para sempre, o spam com um único clique.
E também precisa seguir uma norma ortográfica personalizada, ainda que extemporânea a qualquer acordo ou desacordo, e acentuar graficamente acentuámos para não correr o risco de que leiam acentuamos.
Publicado por samartaime às 11:31 AM | Comentários (0)
Se Camões fosse vivo, escrevia assim...
I
As sarnas de barões todos inchados
Eleitos pela plebe lusitana
Que agora se encontram instalados
Fazendo o que lhes dá na real gana
Nos seus poleiros bem engalanados,
Mais do que permite a decência humana,
Olvidam-se do quanto proclamaram
Em campanhas com que nos enganaram
II
E também as jogadas habilidosas
Daqueles tais que foram dilatando
Contas bancárias ignominiosas,
Do Minho ao Algarve tudo devastando,
Guardam para si as coisas valiosas
Desprezam quem de fome vai chorando!
Gritando levarei, se tiver arte,
Esta falta de vergonha a toda a parte!
III
Falem da crise grega todo o ano!
E das aflições que à Europa deram;
Calem-se aqueles que por engano
Votaram no refugo que elegeram!
Que a mim mete-me nojo o peito ufano
De crápulas que só enriqueceram
Com a prática de trafulhice tanta
Que andarem à solta só me espanta.
IV
E vós, ninfas do Coura onde eu nado
Por quem sempre senti carinho ardente
Não me deixeis agora abandonado
E concedei engenho à minha mente,
De modo a que possa, convosco ao lado,
Desmascarar de forma eloquente
Aqueles que já têm no seu gene
A besta horrível do poder perene!
Luiz Vaz Sem Tostões
AQUI
Publicado por samartaime às 08:22 AM | Comentários (0)
maio 13, 2012
Não mente, não engana, não ludibria
É bonito de ouvir. Apesar de ludibriar ser um verbo dificil.
Quem não ludibria, não ludibria nalguma coisa: nas contas, por exemplo.
Mas há mais.
Quem não ludibria, não ludibria com alguma coisa: com números, por exemplo.
E ainda há as possíveis conjugações reflexas e perifrásticas
Uma chatice.
Falemos de coisas menos interessantes mas mais alemãs. De Kant, por exemplo.
Tem uma página em que ele afirma, muito imperativa e categoricamente, que o outro é um fim, não um meio.
Aqui é que a porca torce o rabo, não é? Aconteceu a muito bom aluno, não se alarme.
Mas voltando à epigrafe: mesmo falando de-va-ga-ri-nho é necessário estar atento ao verbo enganar.
Quando afirma que não engana, manda a mais elementar ciência que eu questione pelo menos:
e não se engana?
Agora imagine estas vicissitudes transpostas para o verbo ludibriar.
Se economistas, correlativos & afins fizessem uma pálida ideia da lingua portuguesa já teriam entendido
que economês só na corruptela rima com português.
Publicado por samartaime às 03:50 PM | Comentários (0)
maio 12, 2012
Até o 'expresso' se rende às evidências
Publicado por samartaime às 11:34 AM | Comentários (0)
maio 11, 2012
irreparavelmente
Publicado por samartaime às 05:37 PM | Comentários (0)
As coisas boas da vida
Publicado por samartaime às 10:20 AM | Comentários (0)
maio 10, 2012
Anos que não fizeste
Samartaime, «Ilha dos Amores» óleo s/tela,(92X73), Lisboa, 1995
AVENTURA, UM VERBO ANDA, É UMA PESSOA
Entra na maneira de eu mostrar o poema
é um verbo andante imprime velocidade
a tudo quanto sinto até ser veloz
sentir até senti-lo
(ao poema) amante.
Entra como um volume sem vento
a face viva onde está
uma palavra que corre para mim
como um laço.
Entra nos séculos que a mim correspondem
o miolo do mundo. Jovens lendas.
Aproximações de ti a ver-me.
Leques cheios de vento do sul
uma espécie de mecânica solar
para o calor que vem contigo.
Aventura com sismos, com aparências.
Verbos andantes como mulheres
a andar
como objectos em festa num andar
homens a reter uma rua estrangeira
homens à mistura com fêmeas
e rios maiores.
Transfusões.
LUIZA NETO JORGE
Publicado por samartaime às 12:08 AM | Comentários (1)
maio 09, 2012
Pela manhã começa o dia
Sua excelência o pregador ministro da saúde bem pode falar de percentagens, operadores, grandes operacionais, sacrifícios equitativos, saberes e outros pirolitos de feira.
Aqueles com quem sua alteza sacro- imperial deveria preocupar-se e defender, raramente lhe transparecem nos olhos e ainda mais raramente lhe acodem aos lábios: os doentes.
Saberá o pináculo da saúde do portugal dos pequeninos o que é isso de estar doente, de ser doente para «toda a vida»? Saberá? Claro que sabe, que o gajo é culto, já leu nos livros, o conselheiro espiritual abragentou-o para a piedade flácida, miserere nobis.
Mas para os doentes ele é mais um canastrão que lhes caiu em sorte e em que não pensam nem muito nem pouco porque o pensamento se lhes esvai na ânsia louca da espera que ao menos a dor passe. Só a dor: «meu deus, cabrão», leva-me as dores físicas que as morais suporto eu.
Vá o distinto senhor ministro da saúde do portugal dos pequeninos à merda e fique por lá os fartos tempos necessários para que ao menos se possa gabar, sursun corda, que de merda percebe, entende e sente.
Publicado por samartaime às 09:48 AM | Comentários (1)
Afinal foi o Sócrates ou não foi o Sócrates?
Foi o Sócrates que pediu a «ajuda externa»?
Essa é boa!
E eu a pensar que tínhamos sido nós, os lusitanos todos exceto o Sócrates!
Ainda me lembro dos nomes que chamámos ao Sócrates, o que o detestámos, o que desejámos vê-lo pelas costas.
Ainda me lembro dos especialistas economistas, fiscalistas, juristas, cabalistas e opinistas que explicaram cabalmente como o mentiroso, arrogante e teimoso do Sócrates não queria a ajuda externa.
Ainda me lembro dos muito entendidos que diziam que a «ajuda externa» seria a grande maravilha porque poderíamos, à pala dos estrangeiros, fazer as reformas que nenhum partido teria coragem de fazer.
E ainda houve a cena do PSD não saber nada do PEC IV que o Sócrates mandara para «a Alemanha» e afinal o Passos Coelho ter estado com o Sócrates horas a discutir o assunto.
Também me lembro perfeitamente de que o memorando da troika só foi assinado pelo Sócrates, só não me lembro é do que andou por lá a fazer o tal do Catroga. Possivelmente foi só reservar mesa para o banquete da edp.
Ainda me lembro do Teixeira dos Santos furioso, dos banqueiros a dizerem que não havia dinheiro para ninguém, do berreiro desafinado dos partidos cada um invocando a sua justa nega na Assembleia e do Sócrates a dizer que então havia que pedir «a ajuda» e que se demitia.
Não, não inventem histórias: continuo a não gostar do Sócrates e a achar delicioso que esteja em Paris a «estudar filosofia».
Mas não misturo as águas.
E estes são tão mentirosos e megalómanos quanto o Sócrates.
E bem mais suburbanos na sua parva sabedoria.
Finalmente há uns tipos que rimam com o presidente - que lhes fica a matar!
Publicado por samartaime às 01:07 AM | Comentários (0)
maio 08, 2012
Touros e touradas
Não sou nada fã de touros e touradas. E tenho particular embirração pela tourada à portuguesa – que reconheço ser muito portuguesa. Muito portuguesa naquilo do «oito ou oitenta» que a caracteriza.
Os senhores cavaleiros são, obviamente, portugueses fidalgos: montam-se num cavalo que nada tem a ver com nem a haver do negócio e andam ali a picar e a baratinar o touro à custa do cavalo – como qualquer senhor português que se preze: o cavalo que dê o corpo ao manifesto. É o oito do provérbio.
O oitenta do mesmo provérbio está guardado para os apeados, os forcados. É a esses que compete pegar o bicho pelos cornos, sem intermediário que os safe da besta. «É toiro lindo! Eh!» e o cabo que se aguente e encaixe nos cornos, com os ajudas todos em bicha pirilau atrás dele, pró que der e vier.
Mas embora eu deteste muito os touros, não vou assim tão longe que lhes deseje a extinção. E é neste «pequeno» pormenor da extinção que eu não entendo os amigos dos touros: não lhes oiço qualquer alternativa de vida para o touro.
Porque, acabadas as touradas, quem pensam que vai ralar-se com a salvação do bicho? E, tanto quanto se sabe, eles não são propriamente de geração espontânea.
Publicado por samartaime às 10:43 PM | Comentários (0)
A cada um segundo os seus desejos
Publicado por samartaime às 10:38 AM | Comentários (0)
maio 07, 2012
Sem Porto Nem Abrigo
A crise acaba de patrocinar mais um submarino ao fundo na batalha nacional do paladar:
fechou o Porto de Abrigo, ali ao Cais do Sodré.
Lá se foi o arroz de pato, o pato com azeitonas, as peras bebedas, o polvo macio e outras vetustas iguarias.
Quando recuperarmos desta crise muito bicheira não nos vai restar mais que
a hórrida nouvelle cuisine;
a fast food para toda a obra;
e as pastilhas químicas de sabor a tremoço ou a enguias fritas..
Publicado por samartaime às 03:14 PM | Comentários (1)
maio 04, 2012
Votos
É magnífica a Assembleia da República na sua magnânima
unanimidade nos votos de pesar.
Enquanto vivos charinga-lhes a vida denodadamente.
Depois, aliviada pela sua quietude, saúda-os.
«É uma casa portuguesa, com certeza»
Publicado por samartaime às 05:08 PM | Comentários (1)
CIFRÃO
Dizias: não se importe de perder
dinheiro com a sua revista de poesia. Pelo mesmo,
alguns empenharam jóias de família.
Naquele café com nome monetário
eras bem o poeta de Os Amantes Sem Dinheiro
mas sem anjo de pedra por irmão. Só
nas mesas vizinhas, grupos
buliçosos de estudantes de Belas-Artes, desconheciam ainda
a arte de caçar patrocínios.
Depois mudaste para o Duque, que
copiou o brasão à tua rua, para mais tarde passares
ao mar do Passeio Alegre e às palmeiras da Foz
que chegaram tarde à tua vida.
Mas acabaste por voltar às cercanias das Belas-Artes,
para descansar num Prado, pouco distante
do jardim de São Lázaro, onde segundo outro poeta,
costumavas medir o tesão das flores.
INÊS LOURENÇO
Publicado por samartaime às 10:39 AM | Comentários (0)
maio 03, 2012
Mercedes, Todo cambia
Publicado por samartaime às 11:09 AM | Comentários (0)
maio 02, 2012
outro que parte
«Belarmino», 1964, longa metragem.
Publicado por samartaime às 04:37 PM | Comentários (0)
Chavela, Camilo Torres
Publicado por samartaime às 11:33 AM | Comentários (0)
maio 01, 2012
Primeiro de Maio !
( Só faltou o Miguel para a festa ser completa )
Publicado por samartaime às 11:49 AM | Comentários (2)
abril 30, 2012
Non Monsieur, je n'ai pas vingt ans
Non Monsieur, je n'ai pas vingt ans
Vingt ans, c'est l'âge dur
Ce n'est pas le meilleur des temps
Je sais, je l'ai vécu.
J'ai dansé sur quelques volcans,
Troué quelques souliers
Avec mes rêves et mes tourments
J'ai fait mes oreillers.
Et je dis encore aujourd'hui :
Je suis comme je suis.
Oui, je me souviens des jours,
Quand les jours s'en allaient
Comme un rêve à l'envers.
Oui, je me souviens des nuits,
Quand les oiseaux parlaient
Sous la plume à Prévert.
Non Monsieur, je n'ai pas vingt ans,
Vingt ans, c'est tout petit
Moi, je n'ai jamais eu le temps
D'avoir peur de la nuit.
Ma maison est un soleil noir
Au centre de ma tête,
J'y fais l'amour avec l'espoir
Et l'âme des poètes.
Les poètes sont des enfants,
Des enfants importants
Moi, Monsieur, quand j'avais vingt ans
J'étais déjà perdue,
Perdue, la rage entre les dents,
Superbement perdue !
Moi, je dansais avec des morts
Plus vifs que les vivants
Et nous inventions l'âge d'or
Au seuil des matins blancs.
J'ai toujours, chevillé au corps
Le même soleil levant.
Non, Monsieur, je n'ai pas vingt ans !
Publicado por samartaime às 11:50 AM | Comentários (2)
abril 21, 2012
Graçolas de ocasião
Tem muita graça aquilo dos governantes não saberem do que falaram outros governantes antes deles.
Tem muita graça o ministro Relvas a inventar incoerências para clarificar o incoerente.
Mas o mais gracioso foi o ministro Gaspar apressar-se, vagarosamente, à explicação do lapso do facto de 2015 ser o ano imediatamente consecutivo a 2014. Isto sim, foi um verdadeiro segredo de estado.
Com a abundância de graçolas de ocasião, ficámos a saber que assim como há ministros que não sabem do que falam, ainda há ministros que não sabem o que andam a fazer.
Já se tinha desconfiado disso quando vieram com aquela das novas benesses tributárias:
- de parte do IVA da reparação do carro vir a ser descontado no imposto de circulação (selo) do carro;
- de parte do IVA de obras em casa vir a ser descontado no valor do IMI;
- e outras afins & correlativas.
Só mesmo quem não conhece «a vida» se lembra destas. E não sou eu quem lhes vai explicar.
Como se este desgoverno mediático não bastasse, ainda temos ministros & similares, que confundem Estado Social com Assistência Social.
E os que estranham que as verbas da Segurança Social desapareçam enquanto o desemprego galopa livremente ao vento. Coitados, devem ter pensado que era só pagar o subsídio de desemprego uns tempos e que depois essa verba «transitava» para os novos desempregados. A chatice é que acabado o contribuinte, acaba a contribuição.
E os que acham que o melhor é travar as pré-reformas antes que fujam todos? Pobres cabeças que nem conseguem prever que os que saem antes vão receber menos, agora e para todo o sempre.
Que mais nos haveria de acontecer? O mudo intermitente falou.
E enquanto o governo anda a falar que isto vai como está ou pior até 2015 se não for até 2030 ou sabe-se lá até quando, salta o mudo intermitente e põe-se a falar: Estou certo que no fim deste ano tudo vai melhorar! – Ele, que nunca se engana, bem se vê que nunca lê nem jornais.
Publicado por samartaime às 07:30 PM | Comentários (0)






